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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2011

Faxina dos sentimentos

O termo faxina nos remete à limpeza material, aquela que frequentemente fazemos em casa. É afasta sofá daqui, estante dali, usa desinfetante, sabão em pó e tantos outros produtos para deixar nossa casa limpa. Essa faxina todos conhecem, seja ela “leve”, a que é feita todos os dias, ou a “pesada” que de tempos em tempos resolvemos e precisamos fazer. Nessas ditas “pesadas” nos colocamos muitas vezes dispostos a jogar fora o que não utilizamos mais, tirar tudo do lugar para ver se não há teias de aranha. Enfim, essa limpeza não nos causa muitos problemas, a não ser o esforço físico.

Foto: DivulgaçãoNo entanto a minha proposta é a faxina dos sentimentos. Essa parece ser mais difícil não é mesmo? Vasculhar as gavetas dos sentimentos é uma tarefa que demanda disposição, tempo e coragem. Qual a gaveta que você precisa limpar? É a da raiva? Essa raiva que te consome, te faz mal e que a cada dia te deixa mais angustiado(a), com uma vontade de jogar tudo para o alto, a raiva que te cega e não permite que enxergue o outro lado da situação? De forma nenhuma é negá-la ou sufocá-la, mas sim trabalhá-la de uma forma que não te traga nenhum malefício.

Outra gaveta que com certeza tem trazido sofrimento as pessoas é a da ansiedade, esse sentimento de apreensão que às vezes te paralisa, te aprisiona e te impede de realizar o que deseja. Reflita a causa da ansiedade, qual produto que precisa utilizar nessa gaveta para limpar esse sentimento?

Uma outra que mereça uma atenção especial é a tristeza. Tristeza pela perda de um ente querido, de um relacionamento acabado, saudade de uma pessoa que há muito tempo não vê, enfim o que precisa fazer nessa gaveta para que a alegria que antes possuía volte a existir?

Não é pretensão tornar simplório cada um desses sentimentos, haja vista que cada um merece um artigo a parte, porém é fazê-los refletir sobre a importância de analisar aquilo que não está te causando bem e iniciar um processo de limpeza e cura.

Há tantas outras gavetas que merecem sua atenção. Pense naquela que no momento está te fazendo muito mal e reflita o que precisa fazer para se curar.

Cabe lembrar que cada um desses sentimentos e muitos outros foi você quem permitiu que ocupasse sua mente e seu coração, e mesmo que esteja ‘impregnado” utilize o que for necessário para removê-lo, seja com uma autoanálise ou ajuda profissional.

 

 

Lourdes P.S. Manhani é psicanalista clínica

Fonte: Jornal Zen





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