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Dois pesos e duas medidas.


Nº 5

Por: Lu Mano


 

 Dois pesos e duas medidas

Cinco jovens de classe média alta.
Criados em ambiente familiar e moradores do nobre bairro da Barra da Tijuca. Todos com formação acadêmica. Na madrugada de domingo, à bordo de um Gol 0km se divertiam pela cidade.

Uma jovem de origem humilde. Mãe de um menino de três anos e moradora da Baixada Fluminense. Empregada doméstica. Na madrugada de domingo, aguardava por coletivo para tentar um atendimento num hospital público.

Realidades bastante distantes. E valores também.

Num vandalismo coletivo, esses rapazes interromperam o domingo de uma cidadã por capricho e soberba, a chutes e socos. Agiram por diversão. Roubaram seus pertences. E fugiram, covardemente.

O mais assustador aqui não é o fato em si, infelizmente. Não é a agressão física instituída com barbárie medieval. É o atentado à integridade moral que não cessou naquele instante. Pois é daí para a frente que a afronta ganha dimensões verdadeiras.

Localizados e apreendidos, os criminosos revelam que o caso não foi um fato isolado. Pelo contrário. Ratificam que os valores estão voltados ao vale quanto pesa.

Um deles chegou a dizer que sua família tem boas condições financeiras e que, com isso, poderia se livrar com mais facilidade daquela situação. Não é só a impnidade, a arrogância que motiva esta truculência. Eles não estão sozinhos. A referência vem de casa. Um dos pais declarou não querer seu filho dividindo cela com bandidos perigosos na Polinter. Disse ainda não ser justo manter presas crianças que estão na faculdade, estão estudando, trabalhando.

Agora tornam-se crianças.

Que eu esteja errada. Que desta vez, e daqui por diante, não haja dois pesos e duas medidas. Que haja a justiça.

 

 

 

 Beleza absoluta?!?!

Vamos lá... dois pesos e duas medidas...

Na segunda-feira à noite foi a final da não sei qual edição do concurso Miss Universo. Transmitido este ano pelo Band, a repercussão do evento me impressionou. Até porque eu tinha que, no conceito do brasileiro, é uma coisa brega. Ok, não brega, mas meio retrô, digamos. Tipo Baile de Debutante. Fora de época, talvez.

Enfim, fui acordada no dia seguinte pela indignação de minha vó, que ante o comentário enfático de ser telespectadora fiel por anos, estava furiosa com o 2º lugar da brasileira Natalia Guimarães. Ouvi suas exposições, dizendo que a nossa miss Brasil havia perdido a coroa para uma japonesa, e falei apenas: _"Ah, vó, que pena!"

Entendo que para os conceitos e a tradição de minha vó, ela tenha sido extremamente sincera. Mas minha surpresa ainda estava por vir... De repente, desde a hora em que saí de casa, presenciei inúmeros comentários: dos porteiros do meu prédio, do motorista do ônibus com a trocadora, do pessoal da redação, de um fornecedor gráfico. Todos em fervorosa defesa à beleza brasileira, injustiçada com o segundo lugar.

Fiquei tão curiosa que fui navegar para conferir as duas, a Bela e a Fera (ou aberração?!?!) na Internet. Sem dúvida a Natália é uma mulher belíssima. Daquela de matar de inveja. Mas a japonesa também. E fiquei um tempão tentando encontrar alguma coisa que a tornasse feia. Em vão... No dia seguinte, leria ainda um depoimento de um rapaz dizendo que a japonesa era estrábica!!! Que absurdo. Fora as justificativas que tinham dois ou três orientais no corpo de jurados e que o Japão sediará a próxima edição... Carta marcada? De repente... Acontece em Copa do Mundo, em entrega de Oscar, em premiação publicitária, por que não no Miss Universo?

Acho que esta comoção atingiu o brasileiro pelo incomodo do segundo lugar. A brasileira é a segunda mais bela e ficamos frustrados...  Bem, me chamou atenção o interesse público que o evento ganhou. Gente que jamais imaginei curtir uma final de Miss Universo questionando, reclamando e defendo.

Tá certo, somos brasileiros. Temos que defender o que é nosso. Mas e se as duas fossem brasileiras? Gisele e Cicarelli? Grazi e Siri? Ivete e Claudia? Recairíamos todos na questão do gosto pessoal... Dois pesos e duas medidas.

Agora, que no ano que vem a transmissão do evento vai ser concorrida, ah podem contar...

 


 

A PAIXÃO DA TORCIDA E A FORÇA DA GRANA

 

Hoje, dedico o espaço ao futebol. Ambiente convidativo aos "dois pesos e duas
medidas", principalmente por dois aspectos maiores: a paixão da torcida e a
força da grana.

Ouvi, confesso que, nada surpresa, a declaração do dirigente Carlos Montenegro,
furioso, após o jogo Botafogo x Figueirense, valendo vaga na final da Copa do
Brasil. Para questionar o desempenho da assistente Ana Paula, sobre dois gols
anulados, que, se validados, mudariam o resultado da partida, e
consequentemente, classificariam o alvinegro carioca, Montenegro disparou que a
questão não era a desqualificação de Ana Paula, mas o despreparo de qualquer
mulher em participar de uma arbitragem. E ainda, falou que esta atitude havia
dado um enorme prejuízo financeiro ao clube.

Pois bem, voltemos alguns dias no tempo. Não, não falo da frase-mico da semana
passada de autoria do próprio dirigente: "Vamos encurralar o Figueirense,
colocá-lo na roda, não deixá-lo passar do meio-do-campo."

Voltemos mais um pouquinho, dia 10 de maio. Após a vitória de Botafogo 2 x 1
Atlético Mineiro, quando foi questionado sobre um suposto pênalti não marcado
pelo árbitro Eugênio Simon, em favor do galo mineiro, o mesmo Carlos Montenegro
ironizou. Avaliou que o clube dele é o mais roubado da história do futebol
brasileiro e que por isso não estava nem aí com o choro do Atlético.

Curiosa avaliação. Dois pesos e duas medidas no futebol é assim: Derrubou! É
pênalti?!?!?!



Lu Mano
Farol de Idéias
www.faroldeideias.com.br

 

O Rio do PAN (e do PARAPAN).

Ao ouvir a respeito da mobilização nos diversos setores da vida pública para que o Rio cumpra sua missão de sediar o PAN 2007( e o PARAPAN 2007), na mais perfeita ordem, uma questão vem à tona: que Rio é esse que ocupará uma posição geográfica em nosso mapa temporariamente até o final de agosto?

Segundo o secretário do Meio Ambiente, Carlos Minc, haverá uma ação parceirizando prefeitura, governo do estado e Petrobras para amenizar a emissão de monóxido de carbono emitido pelos veículos em toda a área de atuação das competições e nas instalações desportivas durante a realização dos eventos.

Uma operação integrando as secretarias estaduais de Fazenda e Transporte e as polícias rodoviárias Estadual e Federal, controlarão até o final de agosto as principais vias de acesso à Cidade, fiscalizando principalmente eventuais cargas roubadas, falsificadas, tráfico e contrabando.

Ah, haverá também um sistema de segurança reunindo a Força Nacional, a Polícia Federal, as Forças Armadas e a corporação de elite do Estado do Rio.

Bem, isso tudo sem contabilizar a ordem de grandeza do montante de investimentos, empréstimos e verbas extras...

Agora, entre as mais interessantes, tem a lei 5.029, sancionada pelo governador Sergio Cabral, com aprovação da Alerj, que estabelece algumas mudanças... entre elas: suspensão da gratuidade e meia-entrada em locais onde acontecerão os jogos, faixas exclusivas para veículos credenciados e repressão a atos ilícitos contra símbolos da competição. Ou seja, o acesso aos jogos será realmente para quem pode e ponto final. O caos do trânsito no Rio, pode sim, ficar pior do que já é (imaginem os arredores do Maracanã e da Lagoa, principalmente), ah e nada de manifestações populares tentando obstruir a ordem do espetáculo. Ah, neste período deficientes e idosos serão selecionados para empregos temporários.

Mas como venho dizendo, são dois "Rios" e duas medidas. O Rio do PAN 2007, planejado, é pontual. Acabada a festa, tudo voltará ao normal.

 

 

Falar de dois pesos e duas medidas num país como o nosso, onde manda quem pode e
obedece quem tem juízo, nunca foi tarefa árdua.

É abrir os jornais, ligar a televisão, navegar na Internet, sintonizar o rádio,
ou mesmo estar em trânsito, ouvindo a conversa alheia, para ver que não são
poucas as notícias que revelam esta nossa realidade.

A Operação Navalha, em evidência, pelas descabidas descoberta, vem ratificando o
"dois pesos e duas medidas" ao revelar a forma escrachada e debochada que
corruptos e corrompidos tratam de suas negociações, enaltecendo o seu poder e em
conseqüência a impunidade que os protege.  Está nas escutas que vem sido
divulgadas publicamente, mostrando o verdadeiro interesse que está por trás da
ideologia de representar o povo.

O povo, aquele que assiste à toda esta revelação, lesado. É ele o grande
patrocinador dessa história. Moeda que advém de um salário popular (mágico, na
tentativa de honrar com seus compromissos) e das condições essenciais mínimas
que lhe são negadas em educação, saúde e bem estar.

Dois pesos e duas medidas: de  um lados, os rendidos à injúria. Do outro, os
protegidos pela imunidade.



Lu Mano
Farol de Idéias
www.faroldeideias.com.br

 

 

 

 

 


 

 



Quero dedicar esta edição às gerações futuras. Que elas sejam efetivamente dignas e inteligentes e que façam do Dia Mundial do Meio Ambiente seu cotidiano.

Infelizmente, não há surpresa na publicidade que o “Green Peace” vem exibindo na tv sobre a geração que queria mudar o mundo e conseguiu. É o que é.

Nada mais, no mínimo, dois pesos e duas medidas, em especial no que tange, ou segrega a Amazônia. Ao longo de anos ninguém se lembrou que os recursos naturais são fontes esgotáveis. E de repente, o mundo se volta para a maior floresta tropical, como se todos fossem seus tutores, querendo sua herança, depois de se eximirem de suas dívidas.

Que seja a Amazônia o pulmão do mundo. Ou qualquer outra qualificação de status nobre que promova. É digno, tratá-la com a maior de todas as magnitudes.

Mas hoje, este “Dois pesos e duas medidas” será curto e direto: Em tempos de campanhas e mais campanhas por um mundo melhor, como deixam a Lagoa Rodrigues de Freitas e o Rio Tietê morrerem? Um o cartão de visitas da alta-classe carioca. Outro, margem das grandes e bem-sucedidas empresas paulistas. Tal como a miséria no planeta. Ela assola os quatro cantos, e bate à nossa porta.

A primeira atitude para rever erros e, efetivamente, mudar o mundo, para melhor, é cada um arrumar sua própria casa.

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